** PALAVRAS... QUE FALAM POR MIM AQUILO QUE AS VEZES AINDA NEM PENSEI C0M TAMANHA CLAREZA, OU LOUCURA...OU AINDA COM UMA IDEIA CONTRÁRIA AS POR MIM CONHECIDAS... ATÉ POR PURA FELICIDADE ENCONTRA-LAS, DE FORMA INTIMA. OU, DESENVOLVE-LAS, A PARTIR DE UM NOVO PONTO DE VISTA.
quinta-feira, 26 de junho de 2014
MENOS
Arte de Andy Warhol
Fabrício Carpinejar
Engarrafado nas ruas de São Paulo, aceito o desespero. Posso chegar fora da hora e perder o compromisso. Não telefono para quem me espera; a ligação somente multiplica a ansiedade e me estimula a dividir a culpa do atraso com os problemas viários.
Tenho uma distração refinada. Gosto de observar os carros amassados. Ligo a música instrumental de meu pensamento. Assisto a uma orquestra de rangidos, discernindo o motor dos barulhos intrusos.
É impressionante como há carros amassados em São Paulo. Um cemitério ainda vivo de automóveis. Fantasmas da Volks, da Fiat, da Renault conversando sobre os velhos tempos da concessionária em cada sinaleira.
Em Porto Alegre, são raros. Em São Leopoldo, muito menos. Batemos o veículo e logo estamos no dia seguinte na oficina, exigindo uma solução rápida do caso. Com ou sem dinheiro. Com ou sem seguro. Questão de honra - é como sair com pasta de dente no rosto, feijão nos dentes ou um chupão no pescoço. O carro está incluído nos itens indispensáveis da boa apresentação no trabalho.
Lá parece que não há tempo para arrumar o carro. Ou não vale a pena. Antevejo a origem do dano. O motorista foi manobrar e beijou a boca-de-lobo, ou alguém tirou lasca numa ultrapassagem arriscada. Estudo as imperfeições com rigor de um restaurador de obras de arte. De tão prejudicados, encontro veículos na forma de sanfona, flauta, pistão, mas que continuam trafegando sem temor. Funcionam, é o que importa.
Na capital paulista, se o amasso não emperra uma porta ou não trava o funcionamento do conjunto não é motivo de crise. Um risco na lataria não tira o sono de ninguém. Há uma conformação tranqüila. Não existe a tragédia das pequenas causas, leva-se adiante como se fossem naturais o choque, o impacto, o erro nesta vida atribulada.
Descobri que aquilo que me incomoda tremendamente não sustenta a raiva. É ficção para me dar importância. Talvez consertasse para manter a posição social.
Em casa, deixo agora um quadro trincado no escritório, uma mesinha com marca de cigarro, uma almofada no sofá sem botão, uma escultura decepada, uma parede com os pés dos filhos.
Não vou esconder, colocar fora e arrumar a cena para a visita. São marcas de que estou mentindo menos.
Arte de Andy Warhol
Fabrício Carpinejar
Engarrafado nas ruas de São Paulo, aceito o desespero. Posso chegar fora da hora e perder o compromisso. Não telefono para quem me espera; a ligação somente multiplica a ansiedade e me estimula a dividir a culpa do atraso com os problemas viários.
Tenho uma distração refinada. Gosto de observar os carros amassados. Ligo a música instrumental de meu pensamento. Assisto a uma orquestra de rangidos, discernindo o motor dos barulhos intrusos.
É impressionante como há carros amassados em São Paulo. Um cemitério ainda vivo de automóveis. Fantasmas da Volks, da Fiat, da Renault conversando sobre os velhos tempos da concessionária em cada sinaleira.
Em Porto Alegre, são raros. Em São Leopoldo, muito menos. Batemos o veículo e logo estamos no dia seguinte na oficina, exigindo uma solução rápida do caso. Com ou sem dinheiro. Com ou sem seguro. Questão de honra - é como sair com pasta de dente no rosto, feijão nos dentes ou um chupão no pescoço. O carro está incluído nos itens indispensáveis da boa apresentação no trabalho.
Lá parece que não há tempo para arrumar o carro. Ou não vale a pena. Antevejo a origem do dano. O motorista foi manobrar e beijou a boca-de-lobo, ou alguém tirou lasca numa ultrapassagem arriscada. Estudo as imperfeições com rigor de um restaurador de obras de arte. De tão prejudicados, encontro veículos na forma de sanfona, flauta, pistão, mas que continuam trafegando sem temor. Funcionam, é o que importa.
Na capital paulista, se o amasso não emperra uma porta ou não trava o funcionamento do conjunto não é motivo de crise. Um risco na lataria não tira o sono de ninguém. Há uma conformação tranqüila. Não existe a tragédia das pequenas causas, leva-se adiante como se fossem naturais o choque, o impacto, o erro nesta vida atribulada.
Descobri que aquilo que me incomoda tremendamente não sustenta a raiva. É ficção para me dar importância. Talvez consertasse para manter a posição social.
Em casa, deixo agora um quadro trincado no escritório, uma mesinha com marca de cigarro, uma almofada no sofá sem botão, uma escultura decepada, uma parede com os pés dos filhos.
Não vou esconder, colocar fora e arrumar a cena para a visita. São marcas de que estou mentindo menos.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Simon Schwartzman
1961, pp. 104-113.
Henri Lefebvre, filósofo marxista e sociólogo francês
“No momento em que acaba de conquistar o mundo e inicia a conquista do universo, o homem (individual) mesmo é supérfluo. Só contam as massas fervilhantes, gigantescas. Então porque pensar, porque refletir, agir ou reagir? Cada homem sendo substituível, e além do mais inútil, busquemos o homem insubstituível e necessário, e deixemos a ele a tarefa de pensar e agir em nosso lugar”. (H. Lefèbvre, La Somme et le Reste). (Publicado orinalmente na Revista Mosaico 4)
Deixemos a ele a tarefa de pensar e agir em nosso lugar. O final do trecho da reflexão de Henri Lefèbvre, filósofo marxista e sociólogo francês, exprime fielmente a atitude inerte dessa sociedade. Considera-se inertes, meus caros colegas, aqueles que insistem em dizer simplesmente: “Não discuto política”; “Não gosto”. E pior: “As pessoas que discutem sobre isso são chatas. Estragam minha noite e minha balada”.Quem imagina não estar inserido na chamada “participação política” está enganado. Primeiramente, pelo fato de que “votam” – entre aspas, e acho propício explicar o porquê: a escolha do voto no Brasil é pior do que escolher um produto novo no mercado: “Ah, esse eu não conheço. Mas não custa experimentar, né?”.
Não os culpo. Nem a mim, claro, que ainda não sei bem como melhorar minhas atitudes. Não tivemos política na escola. Muito menos na universidade. Nossos pais, se nos ensinam algo é sob um ponto de vista totalmente parcial. Não fomos treinados a isso. Se você é uma exceção, eu o(a) invejo.
E o mais triste é saber que pouco tenho a lhe dizer, considerando que ainda me faltam faculdades teóricas para compreender a política que nos cerca. Mas, continuo insistindo nessa tentativa – por enquanto frustrada – de ser menos egoísta. Justamente, por que acredito que fazer e entender política é, na verdade, se preocupar com o próximo.
Sim, porque nos tempos atuais são dois grupos que se interessam por política: aqueles que querem dominar e aqueles que não estão satisfeitos com a sociedade. Se você não é nenhum deles, fique “feliz”! Pelo menos você não é massacrado pela opinião pública. E ainda pode fingir que é uma boa pessoa. Afinal, você “não é” corrupto.
Infelizmente, – e os políticos honestos que me desculpem, pois tento acreditar que eles possam existir – somos comandados por falsos sábios oportunistas. Platão deve se revirar no túmulo, logo ele, que não acreditava na democracia e julgava que nossa sociedade deveria ser comandada por sábios. Mas não existem sábios no capitalismo. Marx bem sabe. Existem espertos – aqueles que estão favoráveis a sua, a minha, a toda e qualquer alienação.
Mas, eu não sou ninguém. Só mais um ser humano substituível, como diria Lefèbvre. Um homem que pouco antes de sua morte declarou: “Devo continuar o meu combate pela teoria? Por vezes, pergunto-me se perdi o meu tempo”.
Sorte dele não estar aqui para ver. Azar nosso.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Revendo “A Desobediência Civil” (1849): 2 trechos do ensaio político libertário de
Henry David Thoreau
Em tempos de resistência pacífica e protesto civil, o filósofo, poeta e
transcendentalista americano Henry David Thoreau (1817-1862) é
uma referência importante e inspiradora. Apesar do ensaio clássico “A
Desobediência Civil” (Resistance to Civil Government – Civil
Disobedience) ter sido escrita há mais de 1 século e meio (1849) e dirigida
a questões como a revolta contra o pagamento de impostos, a condenação da
escravidão e a guerra americana contra o México, a postura e as argumentações
lógicas para a consciência e cidadania do indivíduo são atuais e valiosas. Os
dois trechos abaixo refletem parte dessa riqueza e um deles traz também o relato
particular da prisão de Thoreau, momento que gera reflexões profundas sobre a
relação que ele vê com o Estado e a forma como os cidadãos se relacionam com
ele.
Admirado por Leon Tolstói, Martin Luther King Jr e Mahatma Gandhi, Thoreau foi um pacifista, abolicionista e naturalista que escreveu outras grandes obras, como “Walden, ou A Vida Nos Bosques” (1854) — veja um trecho aqui – considerada uma de suas obras principais. Leia mais sobre Thoreau na Wikipedia.
Seguem os dois trechos.
1
Henry David Thoreau. “A Desobediência Civil”.
Como pode um homem se satisfazer com a mera posse de uma opinião e de fato usufruí-la? Pode haver algum usufruto da opinião quando o dono dela a vê ofendida? Se o seu vizinho o vigariza e lhe subtrai um mero dólar, você não se satisfaz com a descoberta da vigarice, com a proclamação de que foi vigarizado e nem mesmo com as suas gestões no sentido de ser devidamente reembolsado; o que você faz é tomar medidas efectivas e imediatas para ter o seu dinheiro de volta e cuidar de nunca mais ser enganado. Ações baseadas em princípios – a percepção e a execução do que é certo - modificam coisas e relações; a ação deste gênero é essencialmente revolucionária e não se reduz integralmente a qualquer coisa preexistente. Ela cinde não apenas Estados e Igrejas; divide famílias; e também divide o indivíduo» separando nele o diabólico do divino.
2
Henry David Thoreau. “A Desobediência Civil”.
Há seis anos que não pago o imposto per capita. Fui encarcerado certa vez por causa disso, e passei uma noite preso; enquanto o tempo passava, fui observando as paredes de pedra sólida com dois ou três pés de espessura, a porta de madeira e ferro com um pé de espessura e as grades de ferro que dificultam a entrada da luz, e não pude deixar de perceber a idiotice de uma instituição que me tratava como se eu fosse apenas carne e sangue e ossos a serem trancafiados. Fiquei especulando que ela devia ter concluído, finalmente, que aquela era a melhor forma de me usar e, também, que ela jamais cogitara de se aproveitar dos meus serviços de alguma outra maneira. Vi que apesar da grossa parede de pedra entre mim e os meus concidadãos, eles tinham uma muralha muito mais difícil de vencer antes de conseguirem ser tão livres quanto eu. Nem por um momento me senti confinado, e as paredes pareceram-me um desperdício descomunal de pedras e argamassa. O meu sentimento era de que eu tinha sido o único dos meus concidadãos a pagar o imposto. Estava claro que eles não sabiam como lidar comigo e que se comportavam como pessoas pouco educadas. Havia um erro crasso em cada ameaça e em cada saudação, pois eles pensavam que o meu maior desejo era o de estar do outro lado daquela parede de pedra. Não pude deixar de sorrir perante os cuidados com que fecharam a porta e trancaram as minhas reflexões – que os acompanhavam porta afora sem delongas ou dificuldade; e o perigo estava de facto contido nelas. Como eu estava fora do seu alcance, resolveram punir o meu corpo; agiram como meninos incapazes de enfrentar uma pessoa de quem sentem raiva e que então dão um chuto no cachorro do seu desafecto. Percebi que o Estado era um idiota, tímido como uma solteirona às voltas com a sua prataria, incapaz de distinguir os seus amigos dos inimigos; perdi todo o respeito que ainda tinha por ele e passei a considerá-lo apenas lamentável. Portanto, o Estado nunca confronta intencionalmente o sentimento intelectual ou moral de um homem, mas apenas o seu corpo, os seus sentidos. Ele não é dotado de génio superior ou de honestidade, apenas de mais força física. Eu não nasci para ser coagido. Quero respirar da forma que eu mesmo escolher. Veremos quem é mais forte. Que força tem uma multidão? Os únicos que podem me coagir são os que obedecem a uma lei mais alta do que a minha. Eles obrigam-me a ser como eles. Nunca ouvi falar de homens que tenham sido obrigados por multidões a viver desta ou daquela forma. Que tipo de vida seria essa? Quando defronto um governo que me diz “A bolsa ou a vida!”, por que deveria apressar-me em lhe entregar o meu dinheiro? Ele talvez esteja passando por um grande aperto, sem saber o que fazer. Não posso ajudá-lo. Ele deve cuidar de si mesmo; deve agir como eu ajo. Não vale a pena choramingar sobre o assunto. Não sou individualmente responsável pelo bom funcionamento da máquina da sociedade. Não sou o filho do maquinista. No meu modo de ver quando sementes de carvalho e de castanheira caem lado a lado, uma delas não se retrai para dar vez à outra; pelo contrário, cada uma segue as suas próprias leis, e brotam, crescem e florescem da melhor maneira possível, até que uma por acaso acaba superando e destruindo a outra. Se uma planta não pode viver de acordo com a sua natureza, então ela morre; o mesmo acontece com um homem.
Admirado por Leon Tolstói, Martin Luther King Jr e Mahatma Gandhi, Thoreau foi um pacifista, abolicionista e naturalista que escreveu outras grandes obras, como “Walden, ou A Vida Nos Bosques” (1854) — veja um trecho aqui – considerada uma de suas obras principais. Leia mais sobre Thoreau na Wikipedia.
Seguem os dois trechos.
1
Henry David Thoreau. “A Desobediência Civil”.
Como pode um homem se satisfazer com a mera posse de uma opinião e de fato usufruí-la? Pode haver algum usufruto da opinião quando o dono dela a vê ofendida? Se o seu vizinho o vigariza e lhe subtrai um mero dólar, você não se satisfaz com a descoberta da vigarice, com a proclamação de que foi vigarizado e nem mesmo com as suas gestões no sentido de ser devidamente reembolsado; o que você faz é tomar medidas efectivas e imediatas para ter o seu dinheiro de volta e cuidar de nunca mais ser enganado. Ações baseadas em princípios – a percepção e a execução do que é certo - modificam coisas e relações; a ação deste gênero é essencialmente revolucionária e não se reduz integralmente a qualquer coisa preexistente. Ela cinde não apenas Estados e Igrejas; divide famílias; e também divide o indivíduo» separando nele o diabólico do divino.
2
Henry David Thoreau. “A Desobediência Civil”.
Há seis anos que não pago o imposto per capita. Fui encarcerado certa vez por causa disso, e passei uma noite preso; enquanto o tempo passava, fui observando as paredes de pedra sólida com dois ou três pés de espessura, a porta de madeira e ferro com um pé de espessura e as grades de ferro que dificultam a entrada da luz, e não pude deixar de perceber a idiotice de uma instituição que me tratava como se eu fosse apenas carne e sangue e ossos a serem trancafiados. Fiquei especulando que ela devia ter concluído, finalmente, que aquela era a melhor forma de me usar e, também, que ela jamais cogitara de se aproveitar dos meus serviços de alguma outra maneira. Vi que apesar da grossa parede de pedra entre mim e os meus concidadãos, eles tinham uma muralha muito mais difícil de vencer antes de conseguirem ser tão livres quanto eu. Nem por um momento me senti confinado, e as paredes pareceram-me um desperdício descomunal de pedras e argamassa. O meu sentimento era de que eu tinha sido o único dos meus concidadãos a pagar o imposto. Estava claro que eles não sabiam como lidar comigo e que se comportavam como pessoas pouco educadas. Havia um erro crasso em cada ameaça e em cada saudação, pois eles pensavam que o meu maior desejo era o de estar do outro lado daquela parede de pedra. Não pude deixar de sorrir perante os cuidados com que fecharam a porta e trancaram as minhas reflexões – que os acompanhavam porta afora sem delongas ou dificuldade; e o perigo estava de facto contido nelas. Como eu estava fora do seu alcance, resolveram punir o meu corpo; agiram como meninos incapazes de enfrentar uma pessoa de quem sentem raiva e que então dão um chuto no cachorro do seu desafecto. Percebi que o Estado era um idiota, tímido como uma solteirona às voltas com a sua prataria, incapaz de distinguir os seus amigos dos inimigos; perdi todo o respeito que ainda tinha por ele e passei a considerá-lo apenas lamentável. Portanto, o Estado nunca confronta intencionalmente o sentimento intelectual ou moral de um homem, mas apenas o seu corpo, os seus sentidos. Ele não é dotado de génio superior ou de honestidade, apenas de mais força física. Eu não nasci para ser coagido. Quero respirar da forma que eu mesmo escolher. Veremos quem é mais forte. Que força tem uma multidão? Os únicos que podem me coagir são os que obedecem a uma lei mais alta do que a minha. Eles obrigam-me a ser como eles. Nunca ouvi falar de homens que tenham sido obrigados por multidões a viver desta ou daquela forma. Que tipo de vida seria essa? Quando defronto um governo que me diz “A bolsa ou a vida!”, por que deveria apressar-me em lhe entregar o meu dinheiro? Ele talvez esteja passando por um grande aperto, sem saber o que fazer. Não posso ajudá-lo. Ele deve cuidar de si mesmo; deve agir como eu ajo. Não vale a pena choramingar sobre o assunto. Não sou individualmente responsável pelo bom funcionamento da máquina da sociedade. Não sou o filho do maquinista. No meu modo de ver quando sementes de carvalho e de castanheira caem lado a lado, uma delas não se retrai para dar vez à outra; pelo contrário, cada uma segue as suas próprias leis, e brotam, crescem e florescem da melhor maneira possível, até que uma por acaso acaba superando e destruindo a outra. Se uma planta não pode viver de acordo com a sua natureza, então ela morre; o mesmo acontece com um homem.
"Uma educação política não se faz no poder. O poder comprime, deforma, vicia. O poder ilude. Uma verdadeira educação política tem de anteceder o poder. Pressupõe um espírito de aprendizagem, um conhecimento da realidade, um distanciamento, um permanente exame da validade das nossas convicções."
PEDRO LOMBA
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