** PALAVRAS... QUE FALAM POR MIM AQUILO QUE AS VEZES AINDA NEM PENSEI C0M TAMANHA CLAREZA, OU LOUCURA...OU AINDA COM UMA IDEIA CONTRÁRIA AS POR MIM CONHECIDAS... ATÉ POR PURA FELICIDADE ENCONTRA-LAS, DE FORMA INTIMA. OU, DESENVOLVE-LAS, A PARTIR DE UM NOVO PONTO DE VISTA.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Importuna e plácida…
Esta chuva que se esbate sobre mim.
Lava a alma, cala a sede
Que se vem entoando desde Abril.
Afigura-se como o sol da época,
Irradiando a imaculada fúria dos céus!
Exclama o azul profundo e tenebroso,
Que alegórico mas ditoso,
Impõe a melancolia de quem o julga assim…
A beleza esconde-se calada
À espera dos que a sabem descobrir.
Ver e tão-somente difícil
Que aqueles que a julgam pressentir
São atirados no tempo
Do tempo que meramente deixou de existir…
A chuva é fugaz e impessoal.
Mas quem não deseja ser assim?
Porque as angústias elevam-me à tristeza
E a tristeza dita agora parte de mim!
E olho em direcção deste vasto céu,
Procurando vislumbrar os mesmos sinais de ti.
E o medo apodera-se de mim
Porque sei que a chuva deixou de cair…
Dante
Esta chuva que se esbate sobre mim.
Lava a alma, cala a sede
Que se vem entoando desde Abril.
Afigura-se como o sol da época,
Irradiando a imaculada fúria dos céus!
Exclama o azul profundo e tenebroso,
Que alegórico mas ditoso,
Impõe a melancolia de quem o julga assim…
A beleza esconde-se calada
À espera dos que a sabem descobrir.
Ver e tão-somente difícil
Que aqueles que a julgam pressentir
São atirados no tempo
Do tempo que meramente deixou de existir…
A chuva é fugaz e impessoal.
Mas quem não deseja ser assim?
Porque as angústias elevam-me à tristeza
E a tristeza dita agora parte de mim!
E olho em direcção deste vasto céu,
Procurando vislumbrar os mesmos sinais de ti.
E o medo apodera-se de mim
Porque sei que a chuva deixou de cair…
Dante
Mar de S. Pedro de Moel
.
Eu vou ao encontro do mar, irei!
Ouvindo de leve sua fresca canção
Por vielas de saudades, caminhos que nem sei!
Com beijos das lágrimas testemunhas da solidão
Vou rompendo o tempo, que mais há a romper?
Na aridez quase húmida do meu pensamento
Vou ao teu encontro, sem nada para oferecer
A não ser desgostos e o abraço do vento
Mar caminho para te encontrar!
Estou a ir...
Faz com que a tua melodia me incuta a sorrir...
Exige que ela me faça sonhar...
Se mais ninguém me deseja ouvir...
Estou sentado naquele banco de jardim
A pautar recordações, a meio da jornada
Ó mar! Lembras-te quando vinhas até mim?
Cortando desesperos, no auge da madrugada
Com ondas de incentivo ofegantes, remavas
Rumo ao meu efémero coração desconfiado
Tinhas razão, quando em meu peito choravas
Por saber que eu estava apaixonado...
Não continues transtornado, eu não vou desistir
De procurar o caminho, para beber tua calma
Eu vou! Vou... e estou a ir
Com o suspiro enorme da minha alma
Não penses que será a Primavera
A renunciar, uma opinião tão decidida
Quando te contava segredos, lembras-te como era?
Descansa mar...irás ficar com a minha vida
Com sorrisos, horas mortas, dias riscados
Irás ficar com a chuva dormente, enfim...
Mar! Continua a ser o desabafo dos enamorados
Como um dia foste para mim.
E vou ao encontro do mar, irei!
Por vielas de saudades, caminhos que nem sei...
José Correia
.
Eu vou ao encontro do mar, irei!
Ouvindo de leve sua fresca canção
Por vielas de saudades, caminhos que nem sei!
Com beijos das lágrimas testemunhas da solidão
Vou rompendo o tempo, que mais há a romper?
Na aridez quase húmida do meu pensamento
Vou ao teu encontro, sem nada para oferecer
A não ser desgostos e o abraço do vento
Mar caminho para te encontrar!
Estou a ir...
Faz com que a tua melodia me incuta a sorrir...
Exige que ela me faça sonhar...
Se mais ninguém me deseja ouvir...
Estou sentado naquele banco de jardim
A pautar recordações, a meio da jornada
Ó mar! Lembras-te quando vinhas até mim?
Cortando desesperos, no auge da madrugada
Com ondas de incentivo ofegantes, remavas
Rumo ao meu efémero coração desconfiado
Tinhas razão, quando em meu peito choravas
Por saber que eu estava apaixonado...
Não continues transtornado, eu não vou desistir
De procurar o caminho, para beber tua calma
Eu vou! Vou... e estou a ir
Com o suspiro enorme da minha alma
Não penses que será a Primavera
A renunciar, uma opinião tão decidida
Quando te contava segredos, lembras-te como era?
Descansa mar...irás ficar com a minha vida
Com sorrisos, horas mortas, dias riscados
Irás ficar com a chuva dormente, enfim...
Mar! Continua a ser o desabafo dos enamorados
Como um dia foste para mim.
E vou ao encontro do mar, irei!
Por vielas de saudades, caminhos que nem sei...
José Correia
Tenho Tanto Sentimento
Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
Fernando Pessoa
Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
Fernando Pessoa
Reflexão...
Reflectir é pensar!
Reflexão!
É o que os dias de hoje
mais pedem.
É o que a situação actual
solicita com urgência.
Quando a dor se faz mais forte,
quando julgamos que
chegamos perto do fim do poço,
quando tudo parece emperrado,
complicado,
quando começamos acreditar
que todos estão contra nós,
é o momento de parar
e olhar para dentro de si mesmo,
encontrar a resposta
nessa visão,
no olho interior que
é a reflexão.
Reflectir é pensar,
ter tempo para questionar:
Por que eu faço isso
repetidas vezes?
Por que eu só me apaixono por
pessoas complicadas?
Por que não consigo
um emprego como eu desejo?
Por que vivo cheio
de dívidas se ganho
tão bem?
Por que os amigos
se afastam quando
mais preciso?
Por que minha família
é tão desunida?
Por que estou tão feliz,
ou triste assim?
É preciso coragem para
questionar a si mesmo!
Normalmente temos um conselho
pronto para os outros,
sabemos indicar caminhos,
rotas e direcções,
sempre para os outros?
Mas, por favor,
não confunda reflexão com
auto-acusação.
Reflectir não é se martirizar,
pois isso leva ao erro,
faz com que você assuma
o papel de vítima,
e nada é pior do que ser
?a eterna vítima?,
o ?coitadinho ou coitadinha de Jesus?.
?Só eu apanho.
Só eu sofro assim.
Nada dá certo para mim?.
Oh! dor, oh! dia,
oh! desgraça sem fim?
Reflexão não combina
com lamentação.
Reflexão é o uso da razão!
É assumir conflitos e buscar
uma solução.
Tentar mais de uma vez,
usar o perdão.
Recomeçar quantas vezes
forem necessárias,
sempre com um desejo:
acertar!
Virar o jogo,
deixar de ser pedra que fica,
para ser a pedra que rola,
aquele que se transforma.
Se tudo está cinza,
reflectir pode colorir
a sua história.
Paulo Roberto Gaefke
Reflectir é pensar!
Reflexão!
É o que os dias de hoje
mais pedem.
É o que a situação actual
solicita com urgência.
Quando a dor se faz mais forte,
quando julgamos que
chegamos perto do fim do poço,
quando tudo parece emperrado,
complicado,
quando começamos acreditar
que todos estão contra nós,
é o momento de parar
e olhar para dentro de si mesmo,
encontrar a resposta
nessa visão,
no olho interior que
é a reflexão.
Reflectir é pensar,
ter tempo para questionar:
Por que eu faço isso
repetidas vezes?
Por que eu só me apaixono por
pessoas complicadas?
Por que não consigo
um emprego como eu desejo?
Por que vivo cheio
de dívidas se ganho
tão bem?
Por que os amigos
se afastam quando
mais preciso?
Por que minha família
é tão desunida?
Por que estou tão feliz,
ou triste assim?
É preciso coragem para
questionar a si mesmo!
Normalmente temos um conselho
pronto para os outros,
sabemos indicar caminhos,
rotas e direcções,
sempre para os outros?
Mas, por favor,
não confunda reflexão com
auto-acusação.
Reflectir não é se martirizar,
pois isso leva ao erro,
faz com que você assuma
o papel de vítima,
e nada é pior do que ser
?a eterna vítima?,
o ?coitadinho ou coitadinha de Jesus?.
?Só eu apanho.
Só eu sofro assim.
Nada dá certo para mim?.
Oh! dor, oh! dia,
oh! desgraça sem fim?
Reflexão não combina
com lamentação.
Reflexão é o uso da razão!
É assumir conflitos e buscar
uma solução.
Tentar mais de uma vez,
usar o perdão.
Recomeçar quantas vezes
forem necessárias,
sempre com um desejo:
acertar!
Virar o jogo,
deixar de ser pedra que fica,
para ser a pedra que rola,
aquele que se transforma.
Se tudo está cinza,
reflectir pode colorir
a sua história.
Paulo Roberto Gaefke
Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.
Carlos Drummond de Andrade
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.
Carlos Drummond de Andrade
Poema
Passado, Presente, Futuro
Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
Passado, Presente, Futuro
Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
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